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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Um vício chamado Beirut

Uma das grandes paixões da minha vida é a música.Não que eu toque algum instrumento, na verdade adoro escutar. E sem falsa modéstia sou um cara que pesquisa sempre buscando artistas diferenciados e talentosos.Por isso acabei por apresentar a amigos nomes como : O Teatro Mágico, Móveis Coloniais de Acaju, Mula Manca e outros.

Confesso porém, que tenho um olhar meio etnocêntrico e dessa forma estou desatualizado com asa novidades de fora do Brasil. Sendo assim nunca tinha ouvido falar de uma belíssima banda americana chamada Beirut.

Como muitos brasileiros fui supreendido com o primor sonoro do Beirut em dezembro passado quando a TV Globo exibiu a mini-série Capitu(dirigida por Luiz Fernado Carvalho, foi uma magistral adaptação de Dom Casmurro de Machado de Assis).Na obra sempre que Bentinho encontrava com sua "cigana oblíqua e dissimulada" tocava aquela linda trilha. Acompanhei toda a produção sem buscar informação sobre quem era o responsável por tão bela música, que me parecia cigana e ao mesmo tempo pop. Só depois um amigo me disse de quem era o som.

Beirut é um grupo americano surpreendente. Liderado por Zach Condon, mistura elementos musicais do leste europeu, com indie e folk. Desde muito jovem Zach se interessava por música, tendo inclusive frequentado uma renomada escola de música americana. Aos 16 anos ele deixou a escola e partiu em viajem pela europa, sendo exposto a música dos balcãs. E tudo isso teria resultado no trabalho de seu grupo.

A banda já possui dois álbuns(Gulag Orkestar e The Flying Club Cup)e três EP´S lançados.Já realizou também diversas turnês pela Europa inclusive se apresentado em Festivais renomados como o Popkomm em Berlim(onde o nosso Cabruêra também já tocou).

Depois de ter essa surpresa chamada Beirut, passarei com certeza a olhar um pouco mais para a cena musical de fora do país.Óbvio que a música brasileira é maravilhosa mas esse grupo americano é a prova que existem excelentes projetos em todas as partes do mundo.

Só tenho a agradecer a Luiz Fernado Carvalho e toda a sua equipe por terem me apresentado não só a mim mas a diversos brasileiros o som do Beirut.

Eu já ia me esquecendo, o nome da linda canção ( se é que alguem ainda não sabe) é Elephant Gun. Fica aqui minha recomendação pessoal para que vejam o clipe dessa e de outras músicas do Beirut no Youtube, pode ter certeza é garantia de vício.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Grandes Iniciativas

Aqui neste mesmo espaço anteriormente discutimos a questão do jabá, traduzindo seria o ato ou efeito de pagar para se beneficiar nas rádios, Tv’s e similares.Na ocasião tratamos das músicas que são veiculadas nas emissoras radiofônicas sem possuir um mínimo grau de qualidade, enquanto os grandes e verdadeiros artistas dificilmente são “tocados” nesses mesmos lugares.Voltaremos ao assunto agora mas com outra abordagem, o combate ao jabá vindo de onde menos esperava.

Quando se fala em cultura de lixo, alienação, destruição da arte brasileira dentre outros termos, muitas pessoa ligam isso a maior televisão do nosso país: a Rede Globo.Só que de uns tempos para cá a emissora vem agindo de maneira bem diferente, ao menos em algumas instâncias.

No ano passado a Globo trouxe de volta um dos grandes sucessos de sua história: o Som Brasil.Capitaneado pela atriz Patrícia Pillar o programa voltava totalmente renovado. Indo ao ar uma vez por mês passa a homenagear grandes compositores( e intérpretes) da nossa música, com pequenos shows dos mesmos(quando vivos) e releituras de jovens músicos brasileiros(na sua maioria independentes). Apesar de ser exibido em um horário não muito agradável , última sexta-feira do mês após o programa do Jô, a atração se firmou e voltou com muita força neste ano, agora apresentada por Letícia Sabatella.Já foram homenageados por lá nomes como, Noel Rosa, Caetano Veloso, Djavan, Gonzaguinha, Edu Lobo, Erasmo Carlos, Cazuza e outros(na próxima sexta o homenageado será Ary Barroso).E entre as novidades já circularam: Móveis Coloniais de Acaju, Júnior Barreto, Mônica Salmaso, Mariana Aydar, Ana Cañas, Rubi , Apoena, isso só para citar alguns.


Uma iniciativa similar ao Som Brasil ocorre no Altas Horas, programa apresentado por Serginho Groisman na mesma emissora.Trazendo um misto de entrevistas, matérias, debates e musicais, neste ano especialmente Serginho começou a dar uma maior atenção aos novos talentos da música brasileira.O programa quase em toda edição leva um artista não muito conhecido do grande público mas já famoso na cena independente.O Altas Horas serve inclusive de complemento ao Som Brasil, já que alguns grupos tocaram nele antes e depois foram mostrar seus trabalhos autorais na atração liderada por Serginho.Se apresentado no “vida inteligente na madrugada”(slogan da produção) já estiveram: Vanguart, Mallu Magalhães, Del Rey, Siba e a Fuloresta, O teatro mágico e muitos e muitos outros.
O Altas Horas ainda compartilha com o Som Brasil uma outra característica, o horário inconveniente, indo ao ar nas madrugadas de sábado.


Mesmo exibindo ambos os programas nesses incômodos horários devemos assumir que trata-se de uma iniciativa louvável da Globo.Pois se o Brasil passa por um momento onde a “dança do creu” e a “dança do quadrado” se transformam em hits doentios, é simplesmente por falta de divulgação do que realmente presta.

E vale ressaltar também o seguinte, as outras emissoras adoram imitar à Globo, isso é fato.Então fica aqui a sugestão, imitem o Som Brasil e o Altas Horas e ajudem a música brasileira a evoluir.Pois se os nossos verdadeiros talentos fossem mais divulgados com certeza nossa conjuntura cultural começaria a mudar.

domingo, 27 de julho de 2008

Trabalho infantil e trabalho infantil

Há cerca de quinze dias foram comemorados os 18 anos de vida do Estatuto da Criança e do Adolescente.
Em essência o ECA reconheceu que a criança e o adolescente devem gozar de todos os direitos inerentes a pessoa humana.Afirmando também que eles devem ter proteção integral, a qual deve se materializar no oferecimento d e oportunidades e facilidades que garantam o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social dos mesmos.

É interessante aproveitar esse clima de festa para fazermos algumas reflexões.Será que o ECA é completo?Ele está sendo respeitado? Como eu não sou e nem quero ser um especialista em leis, quero problematizar aqui apenas um aspecto: o do trabalho infantil.

O Estatuto diz o seguinte no capítulo V: art. 60. É proibido qualquer trabalho a menores de quatorze anos de idade, salvo na condição de aprendizes.Nesse aspecto está tudo muito certo realmente. Mas na prática a coisa é meio diferente.As autoridades combatem de forma veemente o trabalho infantil, criam programas de erradicação, o juizado fiscaliza e por aí vai.Porém existe um local onde essa lei passa meio despercebida: a televisão, isso mesmo a grande companheira da sociedade brasileira está repleta de crianças e adolescentes trabalhando em diversas funções.


Um exemplo disso é a mini-apresentadora Maísa Silva (uma chatinha), do SBT que tem apenas seis anos de idade e já algum tempo de carreira, visto que antes de ser funcionária do ‘Dono do Baú’ trabalhava para Raul Gil. Será que Maísa e todas as outras crianças da telinha são contratadas como aprendizes de artistas? Vamos supor que sim. Entretanto, alguém já presenciou uma menininha de 6 anos trabalhando, por exemplo, em uma oficina mecânica ? Óbvio que não.

Ao que parece o trabalho do menor de idade no nosso país está cercado por uma questão preconceituosa. Existem dois pesos e duas medidas. O adolescente que necessitar trabalhar para ajudar no sustento de sua família será proibido, mas os da televisão (que na maioria das vezes são empurrados ao trabalho pela família) as autoridades fingem que não estão vendo e ainda por cima os aplaudem. As leis não devem diferenciar trabalho “braçal” de trabalho “chique”, na prática é tudo trabalho.
Então penso que as pessoas competentes devem aproveitar a maioridade do Estatuto para lê-lo novamente ou então reescrevê-lo, que tal assim: art.60.É proibido qualquer trabalho a menores de quatorze anos de idade, salvo na condição de aprendizes e ou artistas de televisão.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Caminhos do Coração: entre a inovação e o ridículo


Lembro de um dia em meados do ano passado onde eu folheava um dos grandes jornais da Paraíba.Tudo ia muito normal até me deparar com uma nota muito estranha no caderno de TV: “Próxima novela da Record terá uma escola para mutantes”. Pensei que aquele jornalista estava doido ou queria zoar com os leitores.Era muito irreal ver mutantes na nossa dramaturgia. Infelizmente eu estava errado e ele só errou com a escola.

Em agosto de 2007 a Rede Record estreava Caminhos do Coração. Escrita por Tiago Santiago e possuindo um tremendo investimento em produção e divulgação, chegou sendo tratada como uma grande inovação na TV brasileira.

A trama da novela gira em torno de uma clínica que modifica seres humanos transformando-os nos citados mutantes. Entre uma história policial, arte circense e outras coisinhas mais, o principal no enredo seria o embate entre os mutantes do bem e os do mal. Sendo que com o passar dos capítulos realmente foi ficando comprovado que a produção da TV do bispo era realmente inovadora: ninguém nunca tinha feito algo tão tosco na história televisiva brasileira.

Uma série de fatores transforma “Caminhos” numa verdadeira idiotice. Já começa pelo nome, porque uma novela que fala principalmente de mutantes se chama Caminhos do Coração?Outra coisa é em relação à idéia, diga-se de passagem não é nem um pouco original , mutantes convivendo com pessoas normais é o mote da série americana Heroes (exibida no Brasil pela própria Record) e é um pouco também dos X-Men. Os efeitos especiais que no início da novela eram citados como semelhantes aos de Holywood se mostraram dignos de Chaves e Chapolin .

Parece ainda que existe um grande problema na emissora paulista quando o assunto é contratação de novos atores. O negócio é contratou não tem onde colocar, manda o Tiago Santiago inventar um novo mutante.A novela tem um dos elencos mais inflados de todos os tempos, é um entre e sai tão grande que nem os fãs conseguem assimilar direito.E não para por aí.

Na metade da história boa parte das personagens foi deslocada para uma ilha, de onde eles tentam sair a todo custo sem obter êxito.Isso lembra alguma outra produção?Lost é claro.É nessa ilha onde acontece o fato mais ridículo, quando parecia que o folhetim não poderia ir além ele foi, apareceram dinossauros lá (como é que pode uma coisa dessas?).Os bichinhos pareciam ter saído daquele filme não menos tosco que o SBT já exibiu, Dinotopia, são efeitos simplesmente deprimentes.

Mas, porém, entretanto, todavia, como desgraça pouca é bobagem, surge uma surpresa.Quando a novela caminhava para sua reta final vem à bomba: Caminhos do Coração terá uma segunda temporada. Batizada de Os mutantes a nova fase da tosqueira estréia no começo de junho e concorrerá diretamente com A favorita novo folhetim global das 21h, haja vista que as criaturinhas da Record serão exibidos uma hora mais cedo.Toda essa pendenga que vem por aí terá sua história se passando na já citada ilha.Vão entrar mais umas dúzias de atores e uma nova penca de mutantes.

O que me impressiona é como uma novela como essa pode fazer sucesso no nosso país (se é que faz).A teledramaturgia é um dos principais produtos culturais do Brasil e nunca foi preciso imitar conceitos importados.Um dos méritos das nossas produções é sempre discutir problemas sociais e tentar levar para a história um pouco de realidade, coisa que esse besteirol pseudocientífico passa longe.

A Record se defende e continua com o discurso da inovação e não só pelo tema, diz ainda que será a primeira novela não musical a ter uma continuação na TV brasileira. Esse negócio não deveria nem ter saído do papel quanto mais ter duas temporadas.

Inovar é sempre muito bom, mas contanto que não caia no ridículo.Temos grandes exemplos inovadores em nossa TV: Beto Rockefeller, Roque Santeiro, O fim do mundo, Pantanal, Xica da Silva e muitos outros.E todos foram sucessos estrondosos graças também a uma grande qualidade de texto e de produção.

Espero sinceramente que não inventem mais temporadas para “Caminhos”, porque já seria abusar.Vamos aguardar as doidices da nova fase, mas é certo que se as coisas continuarem no ritmo em que estão, daqui a pouco aparecerão na ilha personagens de Madagascar, Os outros, Tom Hanks, Magneto, Leonardo di Caprio,Ulisses Guimarães...e por aí vai.

terça-feira, 18 de março de 2008

CQC: Uma excelente novidade

Estreou na noite de ontem na TV Bandeirantes o Custe o que Custar (CQC), que é um dos carros chefes da renovada grade de programação da emissora paulista e promete ser um dos grandes destaques da televisão brasileira em 2008.

Inspirado em um formato argentino, o programa tem no comando o experiente Marcelo Tas( ex-Globo ,ex-TV Cultura) e conta com uma trupe de repórteres que possuem um humor incontestável e um sarcasmo absurdo.

Já na estréia o CQC produziu algumas pérolas, como o presidente Lula usando os óculos símbolos do programa, uma hilariante entrevista com Gretchen e o Senador Eduardo Suplicy assumindo que já usou drogas. Mas a produção não é só humor, uma das matérias de ontem tratou do problema da água em São Paulo. De maneira bastante irreverente o repórter Rafinha Bastos defendeu os interesses da comunidade que sofre com o esgoto ,graças a uma estação de tratamento quebrada.

Em alguns momentos a atração lembrou o Pânico na TV, entretanto ele é mais bem elaborado e muito mais inteligente do que a produção da Rede TV! . E, além disso, o CQC escapa ileso do grande mau que aflige e diminui a qualidade do “Pânico”, o merchandising. Em mais de uma hora de duração o telespectador pôde acompanhar um show limpo que só foi interrompido para as naturais propagandas comerciais.

Sem sombra de dúvida o CQC irá se firmar como um dos principais programas da nossa televisão. Em tempos de mesmice e falta de criatividade , ser original faz toda a diferença. Então custe o que custar (perdoem o trocadilho) não deixem de prestigiar essa grande novidade .

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Meio-dia: a hora da morte na TV paraibana

Nos últimos anos a faixa do meio dia da nossa televisão vem ganhado uma característica bem peculiar .O horário que tradicionalmente é reservado ao almoço, na TV é concedido aquela que é a única certeza que nós temos, o mal irremediável, a sentença final, o último suspiro, ou também chamada simplesmente de Morte.

Soa estranho eu afirmar que o horário é cedido a morte, não acha? Alguém já a viu com seu tradicional manto negro e sua imensa foice apresentando algum programa? Seria no mínimo original, mas não é disso que estou falando e sim dos programas policiais que contaminaram nossa telinha e têm a morte presente em diversos sentidos.

Aqui em João Pessoa das 5 principais emissoras (em VHF), 3 exibem jornais policiais entre meio-dia e 1h da tarde. E a única diferença entre os três é o canal mesmo, por que no mais tudo igual. O princípio básico de todos é “morreu, antes ele do que eu, porque só me interessa é tirar o meu ($)”. Eles vendem a morte descaradamente transformando tudo num verdadeiro show, basta alguém ser atropelado, ser assassinado ou perder a vida de qualquer outra maneira que lá estão os urubus com suas câmeras em punho filmando os rostos dos pobres cadáveres e colocando tudo no ar com a maior naturalidade achando que toda a população está preparada para ver um corpo cravado de balas ou esquartejado. Chegam ao ponto de comentarem a matéria com a imagem do defunto paralisada ou de subirem os créditos finais do programa com o morto ao fundo.

Além de fazerem uso da morte no sentido literal, eles também matam os direitos da pessoa física, quando pegam uns pobres coitados que foram presos por pequenos furtos, por vandalismo ou outros crimes (alguns causados por embriaguez), e os expõem inclusive a situações ridículas como mandar que escolham se merecem um cartão amarelo, azul ou vermelho. Entendam-me eu não estou inocentando os criminosos só acho que a justiça deva condená-los e não a imprensa.

Outro que “bate as botas” ao meio-dia é o bom jornalismo, esse definitivamente é morto da pior maneira possível. Começa com radialistas tomando o lugar dos jornalistas de formação na apresentação destes programas. Muitas vezes esses fracos apresentadores não têm a mínima noção do que vai ao ar, é comum ouvir-se os “hein”, “qual é a próxima matéria ?”, deles se dirigindo aos diretores que respondem através do ponto eletrônico. Há ainda o uso de jargões difamatórios como desocupado, mau elemento e outros. E o tiro no coração do jornalismo é a venda das noticias, o apresentador olha para câmera e diz “Foi assassinado ontem com 15 tiros e 25 facadas, no bairro do Alto do Mateus aqui em João Pessoa, o desocupado João Maria” e logo em seguida muda o ângulo e fala “Se você esta com problema de diarréia, frieira, impotência sexual, artrite, conjuntivite, gonorréia ou qualquer outra coisa tome a Água Santa e você vai se sentir melhor, a venda em todas as farmácias” ai eu me pergunto como confiar em noticias dadas nesse tipo de programa? Será que se o fabricante da Água Santa fosse preso viraria noticia? É obvio que não, caracteriza-se aqui o chamado “rabo preso” e quem sofre desse mal não pode ter credibilidade por que vai esta sempre devendo a alguém.

É meus amigos como vocês puderam ver esse povo tem fixação na morte, usam e abusam desta figura e talvez ela nem saiba disso, desse prestigio todo e da alta audiência, por que se não já tinha vindo cobrar seu direitos.

Mais quem diria né Dona Morte, de uma das personalidades mais assombrosas e temidas do Universo passou a estrela da tv paraibana... que progresso!!